sexta-feira, 4 de maio de 2012

A Torre


Eu estava na frente do computador. E você tinha deixado a web can ligada, acho que sem querer, enquanto tentava tirar uma foto de si mesma. Testava umas poses estranhas, mas muito bonitinhas de se ver no movimento que você parecia não ter conhecimento.

  Eu escrevi uma mensagem, mas apaguei. Por algum motivo externo, eu tinha que medir as palavras desta vez. Escrevi outra, e outra, e outra... apaguei. Uma amiga sua que eu não gosto muito, apareceu na imagem

  Então saí da frente do computador e fui até a cozinha. Quando voltei, a imagem estava estática, com você em uma única pose. Na minha tristeza instantânea, alguém apareceu no meu quarto. Me disse umas palavras estranhas, como se eu tivesse uma fada madrinha parecida com o meu irmão ou sei lá... eu apareci em uma varanda, junto com minha escrivaninha e computador, que desapareceram  quando eu levantei da cadeira.

  Descobri que era a varanda do seu quarto. Quando entrei e chamei, pude ver que aquela amiga sua já tinha ido embora. Bom.

  Quando te vi comecei a te sacanear quanto a câmera ligada.

  -... E você fazia poses assim... mimimimi!

  - Ah, cala a boca, eu to com vergonha agora.

  - Foi bem bonitinho na verdade.

  Você precisava sair, então foi trocar de roupa. Pediu pra que eu não espiasse... e eu não espiei ok?!

  Quando pronta, vi que sua roupa parecia uma vestimenta típica de antigamente. Tipo, anos vinte... saídas direto d’O Poderoso Chefão Parte II.

  - Vamos, temos que descer e encontrar meus pais e meus irmãos...

  Me puxou pelo corredor até um elevador. Tudo dentro desse local parecia datar do começo do século passado, inclusive as roupas dos funcionários (parecia um hotel). Você largou uma mala no meio do corredor e saiu correndo me puxando até outro elevador. Não entendi o que era. Então um desses funcionários correu em nossa direção enquanto você apertava o botão do elevador freneticamente. Ele ia conseguir entrar, mas percebeu a mala e teve que voltar pelo corredor para buscá-la.

  Você riu alto, um pouco ofegante enquanto a porta do elevador fechava e o homem ficava no corredor. Eu a encarei e acompanhei o riso.

  Chegamos ao térreo e foi como entrar em uma máquina do tempo. Lá todos estavam usando vestimentas modernas (com exceção de outras três pessoas), e o local era um grande hipermercado. Alguém dava voltas com um carro em um dos corredores. Descobri que era seu pai. Seus irmãos (por que ali eram dois), empurravam um ao outro em carrinhos de mercado, batendo nas prateleiras e até contra o carro que por ali dava voltas. Pra nada disso eu pensava “WTF?!”, o que me deu a primeira pista. Quando eles te viram, saíram de seus carros/carrinhos e caminharam para a saída.

  Lá fora chovia, eu olhei para o supermercado e vi a torre altíssima, lá atrás.

  Nesse momento, percebi que não era real. Uma torre dos anos vinte, atrás de um supermercado, com funcionários vestidos a caráter e uma família que se divertia batendo nas coisas em meio aos clientes? Sempre que sonho com você, você está no alto, como naquela torre. Será que isso diz alguma coisa?

  Mesmo sabendo da verdade, na hora eu me desesperei. Me vi caído no chão molhado observando a estranha construção. Você me olhava há alguns metros, se perguntando ,eu acho, o que eu fazia no chão. Eu fui até você e a segurei pelos braços.

  - Você já foi até aquela torre?

  - Claro, é onde nós estávamos. 

  - Tudo bem. Olha... – eu apontava para cima e você me encarava - eu quero dizer uma coisa... Caso qualquer coisa aconteça... aquela torre... se precisarmos um do outro...

  Acordei. 

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