segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Histórias de uma História


Conto 3

Geralmente quando agente é jovem temos a sensação de que a nossa vida não vai acabar nunca, que nada de mal pode nos acontecer, que nunca ficaremos velhos como nossos avós. E mesmo que tenhamos consciência disso, parece uma idéia distante, que demorara muito para acontecer. Nada disso é mentira, mas quando menos nos damos conta o dia passou, a semana passou, o mês passou, o ano passou, uma década passou, a vida passou e não vimos... A verdade é que o tempo parece uma grande mentira que nos foi contada, ou talvez seja a mentira que Daniel mais queria acreditar.

Daniel tinha agora cinquenta e cinco anos de idade que lhe trouxeram de presente cabelos grisalhos, rugas, uma dor insuportável nas costas e o pior de tudo em sua opinião, falta de ereção. Mas a sua vida tinha boas recordações de quando era jovem. Quando tinha 15 anos Daniel começou na carreira de ator, era um garoto bonito que fazia as garotas se apaixonarem a primeira vista e ele particularmente gostava disso. Aos poucos sua carreira foi decolando com gravações de seriados, especiais de TV, atuação em peças de teatro e outras coisas do gênero.

Os críticos mais exigentes falavam mal de Daniel, diziam que ele era um mau ator que seu sucesso só existia por que ele era um homem bonito e que a sua atuação deixava a desejar. Porém Daniel não dava bola, tinha certeza que era algum tipo de inveja, por que ele era o centro das atenções da mídia e gostava disso. Não demorou muito e Daniel já tinha uma fortuna e fama. Comerciais de TV, seriados, peças de teatro chegando inclusive a gravar um CD de músicas que foi considerado por muitos como o maior desperdício de plástico da história, mas que vendeu milhões. Sucesso e dinheiro, sua vida se resumia a isso. As pessoas quando o viam na rua corriam enlouquecidas chorando e gritando de emoção por ver seu ídolo pessoalmente. Certa vez uma pesquisa revelou que 90% das mulheres o achavam lindo, além de ser considerado um dos homens mais sexy do mundo.

Muitas pessoas buscam o sucesso e a fama na vida. Tudo bem isso não é algo de se criticar fortemente, mas buscam isso por que? É isso que Daniel começou a perguntar para si mesmo. Certa noite no seu auge do sucesso Daniel saiu das gravações de um programa muito feliz com tudo, havia marcado de ir jantar com sua namorada em um elegante restaurante no centro da cidade. Por falar nisso sua namorada era uma famosa artista da TV muito linda por sinal. Apesar de tudo Daniel sentia algo estranho em seu peito como se algo estivesse fora do lugar. Ele entrou no carro e foi dirigindo até o restaurante com aquela impressão esquisita no peito. Foi então que um momento mudou toda sua vida, um carro o fechou e ele teve que desviar para o lado quando perdeu o controle do carro e capotou.

O acidente foi tão rápido que ele não viu nada. Quando acordou já estava no hospital rodeado pela hospitalidade dos seus parentes e com as palavras do médico que o confortaram. “Você não sofreu nenhuma lesão na coluna, vai poder voltar a sua vida normal” Daniel pensou consigo que tudo aquilo tinha sido apenas um acidente, e que todos estão sujeitos a acidentes na vida. Porém ele estava enganado. Daniel sentiu uma forte dor no rosto, foi quando se olhou no espelho e viu que parte de seu rosto estava coberto por curativos. Alguns dias depois após a recuperação e sem os curativos viu as marcas do acidente. Uma enorme cicatriz atravessava seu rosto, ele se sentiu um monstro. A cicatriz era tão violenta que cirurgias plásticas não solucionaram nada, na verdade tornaram seu rosto até mais esquisito.

A mídia ganhou muito dinheiro em cima da sua tragédia, e com o tempo ele foi sendo esquecido pelas revistas que listavam os mais sexy, foi esquecido pelas emissoras que nunca mais lhe ofereceram convites para atuar na TV, propagandas, peças de teatro e as garotas que o idolatravam e juravam amar Daniel, tudo isso sumira. As pessoas que amavam o seu rosto bonito o abandonaram, inclusive sua namorada que o deixou depois de alguns meses. As pessoas nunca haviam olhado para o que Daniel tinha por dentro em seu coração, apenas para sua imagem...

Daniel viveu então o resto de sua vida com o dinheiro que havia ganhado durante os tempos de glória e fama, fazendo algumas aplicações para fazer render seu dinheiro. A vida amorosa consistia em prostitutas que ele pagava, pois nenhuma mulher se aproximava dele. A vida foi ficando amarga e sombria com o passar do tempo. Os anos foram passando, seus pais morreram depois de alguns anos. Agora ele era um velho deformado, depressivo e solitário.

Daniel havia pensado em se matar, mas já que estava velho resolveu esperar o momento em que a morte viria lhe buscar. Certo dia Daniel acordou como de costume e foi ao banheiro escovar os dentes. Ele parou em silêncio na frente do espelho e ficou se observando, tudo que via ali era um rosto disforme, uma imagem que causava repulsa em algumas pessoas, repulsa até em sim mesmo. Lentamente uma angustia foi nascendo dentro de seu peito, uma vontade incontrolável de gritar para que todos pudessem escutar sua dor, uma dor irremediável que sentia por dentro, uma vontade de apagar a própria imagem diante de tanto remorso e tristeza. Num impulso de fúria, Daniel soltou um berro e socou o espelho com seus punhos, fazendo o mesmo quebrar em pedaços cortando seus braços e mãos. Ele caiu ensangüentado no chão com lágrimas escorrendo pelo seu rosto.

Daniel foi parar no hospital, fazia algum tempo que ele não entrava lá. Era um ambiente em que ele não se sentia à vontade, as pessoas o olhavam com pena para seu rosto, na verdade qualquer ambiente aberto não agradava Daniel, se sentia um bicho alheio, estranho a aquele lugar, o que era uma ironia devido a sua profissão no passado.

Lá a médica perguntou por que Daniel havia quebrado o espelho e se cortado e ele respondeu “Queria sentir, no meu corpo, tanta dor quanto sinto no meu coração” Um silêncio se estendeu, a médica ficou aparentemente tocada e nada mais falou, a não ser para ele esperar para assinar alguns papéis para encaminhamento psicológico. Daniel sabia que precisava de ajuda, pois não sabia se poderia fazer mal a si mesmo em outras circunstâncias. Na sala de espera encontrou um livro de capa azul com nuvens brancas desenhadas que estava em cima de uma cadeira da sala de espera da psicóloga. Ele começou a ler e lentamente se sentiu bem até que encontrou uma anotação escrita a caneta em uma pagina, que dizia o seguinte... “Eu li as palavras deste livro, se você se sentiu bem e como eu se machucou e tentou se matar, tente salvar a minha vida, eu estou na sala 208 e vou me matar”

Daniel levantou-se em um pulo e foi em direção a sala tentar salvar aquela pessoa.

Será que ele não estava atrasado?


O livro tem o poder de ajudar todas as pessoas?


Continua...

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Histórias de uma História


Conto 2

Escrito por: Édiner R Silveira

A pergunta é a seguinte: Existe a pessoa perfeita? Um homem ou uma mulher que não cometa erros? Bom Prudence achava que não, e isso que a fazia achar as pessoas hipócritas. Na verdade essa opinião era por que ela queria se casar ou ter um relacionamento sério quando se aposentasse, mas achava difícil alguém aceita-la. As pessoas não eram perfeitas então não tinham o direito de acusá-la de algo. Mas será que existia alguém que casaria com ela depois da aposentadoria mesmo sabendo de tudo?

A grande verdade é que Prudence era uma prostituta, mas não uma dessas que se acha na beira de estrada e que fazem as alegrias de sábado à noite dos caminhoneiros. Prudence era uma prostituta de classe média, ou seja, estava quase no nível das de luxo. Sua vida era assim desde os 20 anos de idade quando começou a trabalhar nesse meio para pagar a faculdade de fisioterapia. Ela vinha de uma família estável e bem resolvida, mas que não tinha dinheiro suficiente para bancar uma faculdade.

Prudence sempre foi uma garota que sonhou alto, ela não desejava ter um emprego comum e passar a vida toda sendo uma vendedora ou algo do tipo, ela tinha o desejo de se formar e ter uma profissão reconhecida e diplomada, mas como tudo na vida tem um preço, ela passava os finais de semana como prostituta. Prudence teve essa vida durante muito tempo, na verdade mais tempo do que gostaria. Sua faculdade tinha cinco anos de duração, mas ela já estava nessa vida fazia oito anos, tudo por que ela se apaixonou.

Quando Prudence já estava no terceiro ano de faculdade ou sexto semestre como os acadêmicos medem seu tempo, Prudence conheceu um homem que domou seu coração,antes que você se pergunte, não ele não era um de seus clientes, era um colega de faculdade muito atencioso que conquistava ela com palavras bonitas. Logo os dois começaram a sair e a relação foi ficando mais séria, até que chegou o momento em que ela teve que contar do que vivia. Contou que enquanto eles saiam juntos se encontravam e dormiam juntos, paralelamente nos finais de semana ela se prostituia. A cortina de mentiras caiu e ela tinha medo de ser rejeitada. Ele pediu um tempo para pensar no que fazer e depois de umas duas semanas eles reataram, tudo parecia ir muito bem, pois o homem que ela amava tinha aceitado o trabalho de prostituta que Prudence exercia com a condição de que ela parasse no ano seguinte, parecia uma grande prova de amor. Mas nem tudo são churros nessa vida.

Certo dia enquanto Prudence tomava banho o homem que tanto ela amava descobriu algo sem querer na casa dela. Ele foi pegar água na geladeira e quando fechou à porta da mesma algo escorregou e caiu de trás da geladeira. Era um pequeno baú com todas as economias de Prudence, algo em torno de quarenta mil reais, mais alguns cheques e coisas pessoais. Por que não estava no banco esse dinheiro todo? Boa pergunta, simplesmente para não ter que declarar para o imposto de renda. Ela não sabe o que ele pensou, mas quando ela saiu do banho o dinheiro não estava mais lá e o cara tinha desaparecido. No dia seguinte esse homem que ela passou a chamar de “O grande filho de uma puta” espalhou para toda a faculdade que ela era prostituta, destruindo sua imagem e forçando ela a largar a faculdade ao mesmo tempo em que ele criou a oportunidade de manter ela afastada.

Isso a destruiu e a forçou paralisar a faculdade e trabalhar por muito mais tempo do que esperava, até ela se matricular em outra faculdade e juntar dinheiro novamente. Isso custou tempo da sua vida, custou a confiança que ela tinha nas pessoas, custou parte de seus sonhos, custou mentir para seus familiares por muito mais tempo e custou sua saúde pois a partir daí Prudence começou a consumir anti depressivos até ficar totalmente dependente para continuar vivendo e exercendo a profissão.

O ultimo programa que ela fez tinha uma semana e foi o ultimo na vida, ela estava quase formada, estabilizada, porém não conseguia largar os remédios e ter alegria na vida, ela sentia um grande vazio no peito depois de tudo que passou, de todas as dificuldades e humilhações que viveu, até inclusive ser espancada por um cliente drogado certa vez. Tudo o que queria agora era encontrar uma motivação para a vida e alguém que a aceitasse como ela era.

Certo dia ela pegou um ônibus para ir até a casa de uma amiga. Quando entrou no ônibus se sentou em um banco onde um homem jovem acabara de se levantar e descer, ela notou que ele havia deixado um livro ali, mas quando tentou chamá-lo para devolver era tarde demais ele já havia descido. Curiosa ela começou a ler o que estava escrito ali. A cada linha um brilho nascia nos olhos de Prudence e consequentemente um sorriso, ela pegou um pedaço de papel de sua bolsa e anotou algo que estava escrito no livro e em seguida escreveu algo lá também. Fechou o livro que tinha a capa azul com algumas nuvens desenhadas e o deixou no banco do ônibus. Antes de descer o ônibus deu uma grande freada e em seguida atropelou alguém, aquilo mexeu com Prudence ao ver um rapaz caído no asfalto coberto de sangue.

Alguns meses passaram e as coisas que Prudence leu no livro a ajudaram a melhorar dos problemas e traumas emocionais, ela já estava formada e conseguira abrir uma clinica de fisioterapia com as novas economias que havia juntado. Sua aparência havia mudado, ela agora deixou seus cabelos ficar na cor natural que era ruivo, ela era uma bela mulher ruiva de olhos verdes e corpo bem definido, mas sempre valorizou mais suas idéias e pensamentos que o seu corpo. No papel que ela havia anotado do livro tinha uma data e um local, era um restaurante muito famoso da cidade que havia reinaugurado após quase falir, lá ela viu um homem sentado à mesa que a chamou a atenção a primeira vista, ela ficou em dúvida se seria ele a pessoa, mas depois de muito olhar tinha certeza que realmente era ele, ela se aproximou e perguntou seu nome, o homem respondeu “Marcos” em seguida ela lhe entregou o papel, Marcos leu e sorriu.

Mas afinal o que está escrito no livro?

O que o livro tem em comum com Prudence e Marcos?

Coincidência?

Continua...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Histórias de uma História



Já eram cinco horas da manha quando o despertador tocou e Marcos tinha mais um dia pela frente em busca de um emprego, sua rotina era a mesma fazia sete meses; levantar escovar os dentes tomar uma xícara de café com um pedaço de pão dormido com margarina e enfrentar o frio congelante do inverno na cidade grande. O dinheiro era pouco e Marcos era um jovem homem de 28 anos de idade formado em administração, porém desempregado, pois a empresa em que havia trabalhado desde os 20 anos de idade faliu com a grande crise mundial.


O carro que havia comprado com tanto esforço e orgulho foi vendido para sustentar a casa, ele morava sozinho, mas quando o dinheiro do seguro desemprego e da indenização acabaram e nenhum emprego surgiu o carro foi a primeira coisa que teve de se desfazer para continuar sobrevivendo. O seu estilo de vida também mudara, os jantares nas sextas feiras com a namorada em restaurantes e pizzarias eram agora lembranças e da namorada por sinal também só ficariam as lembranças quando ela o largou, pois ele estava sem dinheiro nem para a passagem de ônibus, na verdade Marcos não se sentia culpado, pois algum tempo depois chegou à conclusão que ela era uma grande vagabunda interesseira quando na rua a viu indo jantar com um ex colega de empresa de Marcos que conseguira um emprego de alto escalão em outra empresa conceituada.


A casa de Marcos era própria, fruto dos tempos em que ele ganhava bem na empresa e um dos poucos bens que haviam restado. Suas roupas começaram a ficar velhas e gastas, mas ainda resistiam bem. Quando marcos completou 25 anos de idade se viu obrigado a fazer bicos para pelo menos ter o que comer. Muitas pessoas que lerem toda essa desgraça podem se perguntar da família de Marcos, mas ele não tinha uma família, era órfão e havia estudado através de bolsas de estudo, era considerado por amigos como um vencedor ou um sortudo, bom se sorte existia ele era a prova de que o azar também e que azar.


Depois de comer Marcos foi até o ponto de ônibus como de costume, tinha uma entrevista de emprego marcada para aquele dia de gelar os ossos, mas como era longe de sua casa tinha que pegar três ônibus. De um tempo para cá Marcos estava começando a perder as esperanças e a depressão já o havia alcançado, ele já tinha pensado inclusive em se matar, mas ele mesmo sabia que não tinha coragem para isso. Dentro do ônibus com a cabeça escorada no vidro ele começava a tentar imaginar como seria o mundo sem ele, se alguém sentiria a sua falta, ele pensava se até sua ex namorada vagabunda iria ao seu enterro, mas chegou à conclusão de que não, talvez seus amigos e alguns fotógrafos de um jornal sensacionalista que escreveriam na matéria de seu obituário “Homem se atira na frente de carro importado para ganhar indenização e acaba morrendo após ter seus corpo partido ao meio”


Quando Marcos pegou o segundo ônibus, sentou em um banco bem da frente com uma janela vaga, pois era o seu lugar favorito, não tinha uma explicação específica para aquilo, talvez por conseguir observar melhor a rua e as pessoas andando felizes, quando via algum mendigo pensava se ele chegaria aquilo e de fato não faltava muito. Quando se entediava ligava seu Ipod que havia ganhado de um homem rico por achar uma cadela de raça que estava perdida. A musica de fato era a única coisa que dava um pouco mais de alegria para sua vida, a musica para Marcos e capaz de transportar emoções e palavras ao seu ouvinte, enquanto as escutava se via imaginando como seria o seu futuro em visões boas é más tentava projetar o que poderia acontecer, mas no fim sempre acabava se sentindo sozinho, se ele morresse simplesmente o mundo continuaria girando e ninguém se importaria, com o tempo ele seria esquecido, por não ter feito nada de extraordinário nesse mundo.


Terceiro ônibus era onde Marcos estava entrando, o dia já havia clareado e o movimento da cidade havia aumentado consideravelmente. Quando Marcos foi se sentar no banco que havia escolhido se deparou com algo inesperado; um livro repousava ali sem um dono aparentemente. Marcos se sentou no banco da janela e resolveu não tocar no livro naquele momento, decidiu esperar para ver se o dono apareceria. Depois de alguns poucos minutos ele pegou o livro na mão curioso sobre o seu conteúdo, tinha uma capa azul e algumas nuvens desenhadas, mas o nome lhe havia chamado muito a atenção. Ele abriu o livro e começou a ler as primeiras páginas, cada página que ele lia fazia ter mais vontade de ler. Estranhamente ele sentia que aquilo que estava escrito no livro fosse destinado especialmente a ele depois de algumas páginas ele sentia que a resposta que tanto procurava havia sido lhe dada, ele leu alguma coisa em especifico e em seguida pegou uma caneta do seu bolso e anotou algo em uma determinada página, fechou o livro e deixou sobre o banco do ônibus, depois de alguns poucos minutos desceu em seu destino para fazer a tão esperada entrevista.


Depois de conversar com o responsável pelo RH da empresa em que se candidatou e levar um “Obrigado Sr Marcos, mas o seu perfil não é adequado para a nossa empresa” voltou para sua casa empolgado onde começou a escrever um livro que misturava a história da sua vida de uma forma cômica e engraçada e se chamava “O que Deus dá o diabo tira” depois de alguns meses seu livro despertou o interesse de uma editora e foi publicado vendendo razoavelmente bem. Os dias de pão dormido começaram a sumir, Marcos começou a ser convidado para ir em programas de entrevistas onde fez sucesso com sua história até vender os direitos para um filme.


Em casa Marcos se lembrava do que havia lido naquele livro azul com nuvens desenhadas na capa que mudou sua vida de uma maneira incrível, eram simples palavras. Mas por que Marcos não trouxera o livro consigo? Quantas coisas mais poderiam estar escritas naquele livro, mas a resposta estava no próprio livro e só quem ler ele poderia saber, pois Marcos não contava para ninguém. Certo dia Marcos foi almoçar em um restaurante quando encontrou uma mulher linda de cabelos ruivos que fez seu coração disparar, ao conhecer ela ele tinha certeza de quem havia escrito aquele livro certamente era alguém especial.
Mas quem? E do que se trata esse livro?


Continua...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Diário das Trevas - Capítulo 15

Aqui está finalmente o capítulo final da história. No fim do capítulo há um vídeo que completa a história, então se preferir deixe o vídeo carregando enquanto lê o capítulo final, para quando chegar lá possa acompanhar sem enterrupções. Obrigado à todos.

Capítulo 15: O fim não está próximo, está aqui!
Eu havia perdido a minha esperança naquele momento, a única coisa que havia me restado eram as lágrimas e uma enorme angustia no peito. Uma imensa solidão, um nó intransponível na garganta. A única coisa que eu desejava era poder abraçar mais uma vez todas as pessoas que eu amo.
- Então todas essas coisas aconteceram são porque o mundo estava perdido? – Perguntei ainda fragilizado.
- Sim os próprios sentimentos humanos varreram suas ações e muitas vidas deste mundo.
- Então o que vai acontecer daqui pra frente?
- Espero que vocês humanos evoluam daqui para frente, o mundo que você conhece não existirá mais, uma nova forma de viver brotará em seus corações, eu pelo menos acredito nisso.
- E todas as pessoas que morreram inocentemente? – Perguntei com as lágrimas rolando pelo meu rosto.
- Como eu falei antes, tudo que existe nesse universo é regido pelo tempo, o tempo atribui o sentido em todas as coisas que são finitas e imperfeitas, as pessoas tem o seu devido tempo nesse mundo e depois partem, algumas retornam para tocar com seus corações outras vidas e evoluírem. A sua mãe é um desses casos, ela sempre te amou Josh até mesmo em seu últimos momentos de vida.
De alguma forma inexplicável as palavras dele trouxeram paz ao meu coração que ainda estava vivo, mesmo não o sentindo dentro do meu peito. A sala foi lentamente ficando clara, o ser levantou da cadeira, eu me levantei também.
- Vá ao encontro das pessoas que te amam Josh, seu irmão está vivo com a namorada escondido em uma lanchonete no shopping, seu pai e a garota que você ama estão naquele moinho onde você os deixou e estão bem, e antes que você me pergunte o porquê daquela única estrela que está no céu, é porque tem de haver pelo uma estrela no céu para testemunhar o quanto de esperança e linda a vida pode ser para contar isso para todo o universo.
Eu pisquei os olhos, naquele milésimo de segundo ao abri-los novamente, não estava mais naquela sala, estava na entrada do prédio ainda com o rosto molhado por lágrimas. Aquilo fora real? Eu sentia que sim, não é por que nossa mente não compreenda ou nossos olhos não consigam enxergar que algo não vá existir. Você consegue ver o amor? Não e nem por isso não quer dizer que não exista.
Existem coisas na nossa vida que somente o nosso coração, nossas emoções conseguem compreender e alcançar... A vida é muito mais que o cotidiano que você vive, faça a vida valer à pena. Eu sai daquele prédio e fui até o meio da rua, tudo continuava escuro e tenebroso, mas curiosamente os berros dos monstros que na verdade eram pessoas com todo as mágoas e sentimentos negativos colocados para fora pararam.
Entrei no carro e segui a procura do meu irmão e o achei na lanchonete com a sua namorada, ao vê-lo minhas esperanças retornaram, porém eu não sabia se deveria dizer que a nossa mãe estava morta, quando eu me lembrava dela, uma imensa tristeza percorria pelo meu coração, me lembrava dela chegando cansada do trabalho em casa, e mesmo assim com um sorriso e um abraço carinhoso...
Conversei muito com meu irmão, e ele me falou algo que me tocou profundamente “Eu sempre acreditei que você iria aparecer por aquela porta” Entramos no carro foi quando ele me perguntou sobre a nossa mãe, eu não sabia o que responder, resolvi contar a verdade, e depois de muito explicar meu irmão ficou em silêncio com a cabeça baixa claramente emocionado. Nenhuma palavra mais foi dita, um silêncio enorme acampou dentro do carro...
Continuei dirigindo, eu entendia o motivo do silêncio do meu irmão, ele estava tentando aceitar tudo aquilo ao mesmo tempo que eu tentava diminuir o remorso dentro do meu peito, foi quando eu vi um vulto andando pela rua que parecia claramente a minha mãe, aquele vulto saiu correndo para um beco quase perto da saída da cidade, mas não havia como chegar de carro lá.
- Você pode dirigir o carro? Eu vou descer. –Disse ao meu irmão que pareceu não compreender o que eu havia falado.
- Mas por quê? – Perguntou ele confuso.
- Eu tenho que resolver uma coisa antes de ir com vocês. – Disse eu confiante. – É só seguir a estrada até chegar a um moinho velho, diga para o velho que se chama Boris que você é meu irmão.
- Você está louco? Eu não vou deixar você sair assim! Eu sou o seu irmão mais velho.
Eu sorri para ele, com alegria, aquele gesto pareceu penetrar em seu coração, e ele ficou em silêncio. – Josh eu sempre acreditei em você, por favor, volte!
- Eu vou voltar! – Disse eu com convicção e em seguida virei e fui atrás do vulto que achava ser a minha mãe. Na verdade eu não falei para o meu irmão porque eu não tinha certeza absoluta, e porque ela supostamente estava...
Acho que uma das melhores sensações da vida e ter a confiança dos nossos amigos, nossos familiares, em geral de todas as pessoas que nos amam, isso nos da uma espécie de força, uma motivação para ser cada vez melhores como pessoas, nos da força para enfrentar os piores problemas que apareçam, pois as pessoas acreditam em nós.
Depois de atravessar o beco cheguei em uma praça circular com alguns bancos, e lá estava sentada aquela pessoa, mas não parecia ser um daqueles monstros, definitivamente era uma pessoa, mas quem era?
Me aproximei lentamente, porém alguma coisa dentro do meu peito dizia que a minha mãe, finalmente cheguei até o banco e me sentei, a pessoa virou o rosto lentamente na minha direção, mas aquela altura eu já tinha certeza...
Era minha mãe, ela estava com um grande sorriso no rosto demonstrando felicidade, ela tocou os meus cabelos e eu não pude me segurar e a abracei em meio as lágrimas com toda a saudade que estava sentindo, ela retribuiu o abraço, era exatamente o abraço da minha mãe, era a minha mãe. Ela em seguida enxugou minhas lágrimas e começou a falar.
- Filho, não se preocupe, eu estou bem, eu quero que você saiba que eu amo muito você e o seu irmão, e quero que vocês estejam sempre juntos um do outro se apoiando e amando o seu pai. Ame o Maximo que você puder Josh, sempre a cada instante da sua vida, o mais verdadeiramente que puder, abrace o mais forte que puder meu pequeno, sorria o mais intensamente que puder, chore sempre que você sentir felicidade, eu vou estar sempre vivendo em suas lembranças e no seu coração meu filho amado, sempre perto de você. – Disse ela em meio á lagrimas que brilhavam intensamente. – E saiba que eu sempre te amei, eu sempre te desejei na minha vida, não via a hora de você nascer para te abraçar com todo o meu amor e poder ver os seus olhinhos.
Ela se levantou e foi caminhando e lentamente até ir desaparecendo pouco a pouco, eu entrei em desespero e sai correndo cheio de lágrimas, eu queria abraçá-la, passar mais tempo com ela, conversar sobre a escola sobre as coisas que eu e ela gostávamos, poder rir ao lado dela mais uma vez.
- MÃE... MÃE!!! Eu te amo MUITO!!! – Disse eu em meio a soluços e lágrimas enquanto via ela sumir lentamente com um sorriso no rosto, um sorriso que eu pensei que nunca mais veria novamente... Até que...

domingo, 2 de outubro de 2011

Quem Te Traz as Cores - Capítulo 10

Alexandre Barbosa da Silva

Capítulo 10: The End Has No End

Existem pessoas que ao entrarem na nossa vida, mudam tudo. Mudam nós mesmos, mudam a nossa vida, e principalmente, mudam a forma com que vemos o mundo. Até as cores ficam diferentes. O mundo deixa de ser preto-e-branco.

Douglas, que agora estava pensando loucamente em como faria pra encontrar Gabrielle, pensava também que nunca voltaria a encontrá-la por acaso, na rua ou no Shopping ou em qualquer lugar, não numa cidade como a que eles viviam, com seus milhões de habitantes correndo de um lado para o outro.

O que ele não sabia, era que o vôo para a Itália não foi a primeira vez que se encontraram. Muitos anos atrás, eles se esbarraram em uma avenida movimentada. Um tempo depois, ele sentou do lado dela no cinema. Ambos estavam sozinhos, e ele até pensou em conversar com ela um pouco antes de o filme começar, mas sua mente adolescente não lhe deu coragem. Passaram-se alguns anos até o seu próximo encontro, no qual até trocaram algumas palavras, em uma fila pra comprar sorvete. O cabelo dela era de outra cor, portanto, ele jamais relacionaria a garota da fila do sorvete, com a garota do avião, que encontrara dois anos depois.

Eram coisas que ele não sabia, e nunca viria a saber. O mundo é muito pequeno, quanto mais uma cidade. Um cara uma vez, sabiamente me disse: “Não confie na sua memória, ela pode lhe pregar muitas peças”. Seu nome era... como era mesmo? Pedro... João... não, definitivamente era Rodolfo. Ou era Astolfo…? Acho que esqueci.



Ela estava de volta à casa do pai, quando deu-se conta do mesmo fato que Douglas. Havia percebido, por que queria lhe enviar uma mensagem de texto, e de repente perguntou-se pra que número a enviaria. Como resposta a esta pergunta, recebera um ponto de interrogação ainda maior.

Que dia ele iria embora da Espanha? Onde estaria na Espanha? Como se encontrariam em uma cidade como aquela em que moravam? Num aeroporto daquele tamanho?

O mesmo medo que o deixava em pânico, a deixava sem saber o que pensar, a deixava confusa.

Como pudemos ser tão idiotas?



Quando desembarcou na Espanha, Douglas estava louco. Se ele parasse pra pensar, descobriria formas de garantir que a encontraria, mas não pensava direito. No taxi a caminho do hotel, ele levou uma de suas malas junto no banco de trás, para pegar uns biscoitos que queria comer, e que estavam guardados no bolsinho do lado da mala.

Porém, quando colocou a mão para alcançá-los, sentiu uma coisa estranha. Ao puxar essa coisa de dentro da mala, teve a maior sensação de alívio da sua vida. Era o celular de Gabrielle.



O quarto de Gabrielle na casa do pai estava um caos. Ela havia revirado tudo, atrás de seu celular. Todas as suas roupas, as que trouxera consigo na viagem e as que seu pai comprara de presente, estavam espalhadas. A cama estava virada e o colchão estava no corredor.

Quando finalmente desistiu de procurar, lembrou-se. Seu celular estava na mala de Douglas, desde a partida da Inglaterra. Com um sorriso imenso, ela desceu as escadas correndo, em direção ao telefone.



No dia seguinte a sua chegada a Espanha, Douglas estava a manhã toda no quarto, esperando a ligação. Antes de recebê-la, não conseguiria aproveitar a estada, por mais lindo que fosse o país. O celular estava quase sem bateria quando encontrara, fazendo com que ele tivesse que comprar um novo carregador.

Ele estava quase dormindo em cima do telefone, quando uma música alta começou a tocar. A ligação chegou ao som do Cure, com Just Like Heaven.



Quando essa pessoa tão especial surge, fazendo tudo tremer, é de conhecimento público que você deve se prender a ela. Particularmente, não acredito em destino. Não da forma que as pessoas geralmente acreditam, que tudo que tiver que acontecer, acontecerá. Mas por outro lado, acho que as coisas tem sim, seu tempo. Quem sabe o que teria acontecido a Gabrielle e Douglas se ele tivesse tido coragem de falar com ela no cinema? Poderiam ter estado juntos a bem mais tempo é verdade. Mas talvez a imaturidade dos dois na época tivesse feito dar errado. Quem garante que vai dar certo agora? Que é felizes para sempre? Nada pode garantir isso.

Para encerrar, basta dizer que uns dias depois, no aeroporto de sua cidade natal, eles se encontraram. Primeiro ela o avistou. Depois ele a viu ao longe vindo em sua direção, carregando uma mala enorme.

Você aí, que está lendo, quer que eu descreva que eles correram ao encontro do outro, se abraçaram, se beijaram, falaram uma coisa engraçada, e riram juntos, num final cheio de corações, cupidos soltando flechas em meio a fogos de artifício?

Pois é, não vai acontecer.





* Enfim, acabou. Quem leu até aqui (sei que não são muitos) deixe um comentário dizendo o que achou. Obrigado. Até a próxima!